me pergunto se uma das entradas pro nosso trabalho nao esta numa ideia de corpo inumano. seria o corpo deslocado da codicao de humano para uma condicao paralela de inumano. talvez esse inumano esteja numa margem, ou seja mesmo o centro da condicao humana na contemporaneidade. entao nao se trata do corpo social, funcional, eficaz, o corpo que causa. nao se trata do corpo-animal antropomorfico, nem tampouco do corpo “tabula rasa”, o corpo que parece ter saido de uma embalagem com selo de garantia e colocado no palco. esse nobody seria entao a sombra inumana do que ainda resta.

hanna arendt tem razao a respeito da acao como lugar/gesto politico. e tambem sobre o status da condicao contemporanea da humanidade : o homem como cut-out de si mesmo, sombra que so existe pela escuridao. hanna e a reafirmacao da acao no existir, unico espaco democratico possivel – a acao – danca como exercicio de existencia.

a palavra artificialidade veio e me pergunto se esse nao seria o rebound da coisa toda, artificializar para destilar o que ainda pode ter de resquicio de uma humanidade que talvez seja justamente essa inumanidade. partindo dessa perspectiva o dancar – que poderia ser visto como nao dancar – seria a condicao do existir, do se presentificar e alavancar o (possivel) acontecimento.

uma massa de meidofuku. air dolls desprovida de si mesmo. a fantasia que salpica a inumanidade tao so com pitadas de glitter negro.

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