encontro o fragmento de texto abaixo nos drafts do blog, datado de 29 de janeiro de 2012. o cosmoangu passa a cosmoangoo? como ressoar na inabilidade estrangeira de uma gogoinha mestica? cosmologos quem sabe, estudiosos da expancao do universo seja qual for a forma que ele se apresente, e ainda assim estariamos estudando o universo, o macro pelo micro, o micro em expansao para o macro…cosmococa do oiticica e’ obra aberta deixada em panela de pressao. um manto azul na garupa de um motoboy ja traz em si o encontro, a ruptura (sobretudo entre realidade/ficcao e entre objetividade/subjetividade), o habitar como corpo que transita e ocupa ai um lugar no tempero do povao. uma camera no capacete e uma coluna vertebral ereta – sucumbindo docemente aos balanceios da moto – produz o lugar do artista-documentador e da performatividade como acao “restauradora” daquele momento, algo que foi tirado do comum para ser nada mais do que aquele comum em si mesmo.
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Penso em cosmologias como representacoes do universo, um cosmoangu de caldo grosso e cheiro forte, indigesto para buchos mal formados. Cosmoangu e me lanco no espaco sideral da astronomia, da astrofisica do Jorge e da relatividade do Einstein. e vou parar nas cosmococas do helio oiticica, coincidentemente lembradas pela imagem da cara da “loirinha” coberta de cocaina.
O cosmococa era um projeto do oiticica com o cineasta Neville d’almeida, uma coisa de “quasi-cinema”. Eram espacos sensoriais, com projecoes de imagens, trilhas sonoras e objetos tácteis, com redes armadas onde o “participante” podia se instalar e desfrutar desse espaco-obra-experimento. Nos diz o site do museu de inhotim onde as obras estao expostas:
Os quasi-cinemas representam o ápice do esforço que Oiticica empreendeu ao longo de sua carreira para trazer o espectador para o centro de sua arte e para criar algo que é tanto um evento ou processo quanto um objeto ou produto — um desafio da tradicionalmente passiva relação entre obra e público.
Sobre a ideia da cocaine presente na obra, o mesmo texto esclarece:
O uso da cocaína, que Oiticica, discute longa e teoricamente em seus textos, aparece tanto como símbolo de resistência ao imperialismo americano quanto referência à contracultura.
Esses espacos concretos como ocas e simbolicos como viagens alucinogenas, assumem o lugar de real quando trazem para si o espectador como experimentador do ambiente, e a obra como construcao subjetiva compactuada. A construcao conceitual desses espacos se da com a forma e a apropriacao dela, um fluxo que acaba por anuviar essa relacao e dar cabo dela. As cosmococas pensam o espetaculo como conspiracao de uma resistencia de trincheira.
O cosmoangu pensa fome e bosta, gato e rato, captura e incorporacao.




Quanta referencia Marcelo! quero dar uma destrinchada na onda toda!
Acho bom o fato de termos essa loirinha do cosmangoo, pra discutir e deslocar a cultura E.U.A. e como ela teve por aqui.
Há algum tempo, eu via a loirinha como um figura neutral, que poderia ir se transformando. Cheio de inocência e fragilidade. Agora ja vejo esse corpo se moldando e se conectando dentro desse éspecie de linha do tempo. Aí o cosmangoo está cheirando!