O galpao do dirceu transformado em campo de batalha para bboys e bgirls de todos os cantos. O termo batalha parece nao se aplicar aqui apenas a uma ideia de competicao, de confronto para ver quem e’ melhor. E’ batalha porque a mocada se divide em pequenos grupos e parecem estar numa luta, armados pra lutar, em estado de confronto permanente, mesmo que de forma pacifica e brincalhona, com uma elegancia e um rigor estetico muito particular. no fundo todos conhecem o sentido de estar junto e essa e’ em si a batalha, uma batalha a favor e nao contra, uma batalha que ao inves de separar, propoem agregar e fortalecer uma luta comum.
Semana passada o sr. reginaldo carvalho, que gentilmente nos empresta o espaco do galpao, sobrevoou a area do dirceu em um helicoptero fazendo planos de ampliacao do seu negocio, o comercial carvalho. Talvez venha a precisar ainda esse ano usar aquele espaco para fins comerciais, que e’ um direito seu, e ai nos estaremos mais uma vez na rua.
Na semana anterior a passada, houve um assalto na rua do galpao e mataram um homem. dois bandidos assaltaram (sem saber) um policial a paisana, que armado feriu um deles e matou o outro, que ficou estendido morto no meio da rua. Aconteceu a 50 metros do galpao no momento em que alguns artistas voltavam pra casa.
O corpo vivo dos bboys e bgirls sao out-doors de mensagens em ingles nesse tipo de lingua do hip hop, que extrapola as gramaticas e as traducoes e sobrevive numa especie de “dinamica corporal interativa aderente”, algo que e’ reconhecido por todos e da a eles um lugar de pertencimento. Os corpos sao arranjos de cores fortes, letras grandes, simbolos, acessorios e combinacoes de tennis-jeans-camiseta muito especificas, o que mostra que existe entre eles uma estetica compartilhada quanto a maneira de se vestir.
A arena retangular branca precisamente simetrica no espaco do galpao. A luz separa a arena demarcada com contorno de tape preto. Os corpos contornam o retangular branco e o sombream de luz.
Os bones sao trazidos para a arena, o ringue, o coliseu. Sao usados como coroas, capuz de profeta, quepe de official. O manto que cobre a cabeca, o louro que a entroniza, na cabeca o simbolo do poder. Os bones nao sao tirados mas deixados cair no meio dos giros no ar, das suspensoes e quedas, e chutados ou dancados pra fora do ringue com partes do corpo. esses bones sao recolhidos pelos companheiros da crew ou por qualquer um, que o recebe e respeitosamente – embora com casualidade – o faz chegar de volta a seu dono. Os bones vao e vem pelo ringue acompanhando a danca daquelas cabecas, e as protegendo nas escorregadas e apoios contra o chao. Tem algo profundo de antropologia ai, nesse passar em volta o bone’, perder por um instante a coroa, e recebe-la de volta pelas maos dos presentes.
O instante e’ instavel baby, sorry to say, lets take that in consideration.



Very good trial, but the human test was approver.
Now we test other sides as well.
We are following from here too. Good luck.
Brian Phillip Dick,
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