amanha tem palestra-performance com o nucleo do dirceu no teatro maria matos em lisboa. essa serie de palestra em torno do “lugar do artista” tem como mote o verbo pertencer. e nao paro de me perguntar o que e’ isso realmente, para alem do que se pode dizer como ser de algum territorio, de um lugar (mesmo que) simbolico ou ser de alguma pessoa ou muitas, em um sentido de comunidade. me pergunto a quem pertencemos mesmo, tirando os cliches de pertencimento que estao colados com superbonder em nossa pele e nao saem.
eu no momento pertenco a essa cama de hotel em que estou atochado. pertenco a lisboa e ao tejo, ao teatro maria matos, ao hotel lutecia e ao apartamento 618. pertenco ao matadouro como estado, lugar e condição. pertenço a esse angu de osso ruido, esse circulo hipnotico, essa iminência de morte, esse misturado de êxtase com exaustão. pertenco ao matadouro como se pertence a uma crenca, mas sem deuses, sem dogmas, sem culpa, sem nenhuma promessa de salvacao. pertenco a isso a qual nao se pode pertencer, ao ilegal, ao subversivo, ao nao oficial, ao descartado, ao omitido, ao acusado, porque o mundo ainda esta hipocritamente dividido entre o que e’ certo e o que e’ errado segundo a lei da convencao mais rapida e segura.
pertenco a TAP, take another plane, a belgian air e a GOL linhas aereas inteligentes. pertenco a petrobras e a funarte, pertenco ao banco do brasil e ao ABN-AMRO bank. pertenco a quem eu amo mesmo quando nao quero pertencer, mesmo que as regras de pertencimento estejam totalmente diluidas e esse amor nada tenha de pertencimento. pertenco a uma dimensao desconhecida que me pertence, que me come vivo com apetite voraz. e chegando aqui nesse ponto da escrita, ja pertenco a outras coisas, completamente despertencido do que sou.