Correr. De que e para o que? Para onde?
Correr no lugar, voltando para onde se esta, na imobilidade dinamica do desfazer, des-ser, destituir-se da figura, forma de emprisionamento do individual.
Correr na olimpiada patetica da vida, do alcance do obvio e do banal, correr porque nao se tem mais nada o que fazer.
Correr em circulos concentricos, em torno de si mesmo, cachorro que tenta morder o rabo, carrousel amaldicoado de uma fantasia despedacada.
Correr em retirada, retirar-se dos dispositivos que anestesiam o senso critico, que matam de inanicao a coragem.
Correr contra.
Correr em um ritual arcaico, kuarup de indio exterminado, no aspecto tragicomico que embaldrama o sentido dos rituais.
Correr doido no mundo, como expansao da vontade descontrolada, como nao contencao de uma normalidade imposta, como possibilidade para a nao combustao de si mesmo.
Correr como forest gump, metafora filmica de nossos longa metragens pessoais, forest abatido pela vida dura, exposto aa idiotice dos dias, e dos fatos tidos como reais.
Correr como flagelo, lixo descendo pelo esgoto, pelotao de morte em disparada para o inevitavel, escombro descendo para o fosso de orfeu, o musico.
Correr como heroi atrasado em manha tepida, correr do que se quer negar e nos persegue, correr porque os ponteiros do relogio correm lenta e continuamente, pra escapar da morte, distribuindo golpes em pauladas ritmicas.
Correr pelo lado de fora, sem adentrar, periferico no sistema cardio-vascular do corpo, maquina de ignicao do desejo.
Se correr o bicho pega e come, se ficar o bicho devora.
photos > valerio araujo
































