correr contra

•February 6, 2010 • Leave a Comment

Correr. De que e para o que? Para onde?

Correr no lugar, voltando para onde se esta, na imobilidade dinamica do desfazer, des-ser, destituir-se da figura, forma de emprisionamento do individual.

Correr na olimpiada patetica da vida, do alcance do obvio e do banal, correr porque nao se tem mais nada o que fazer.

Correr em circulos concentricos, em torno de si mesmo, cachorro que tenta morder o rabo, carrousel amaldicoado de uma fantasia despedacada.

Correr em retirada, retirar-se dos dispositivos que anestesiam o senso critico, que matam de inanicao a coragem.

Correr contra.

Correr em um ritual arcaico, kuarup de indio exterminado, no aspecto tragicomico que embaldrama o sentido dos rituais.

Correr doido no mundo, como expansao da vontade descontrolada, como nao contencao de uma normalidade imposta, como possibilidade para a nao combustao de si mesmo.

Correr como forest gump, metafora filmica de nossos longa metragens pessoais, forest abatido pela vida dura, exposto aa idiotice dos dias, e dos fatos tidos como reais.

Correr como flagelo, lixo descendo pelo esgoto, pelotao de morte em disparada para o inevitavel, escombro descendo para o fosso de orfeu, o musico.

Correr como heroi atrasado em manha tepida, correr do que se quer negar e nos persegue, correr porque os ponteiros do relogio correm lenta e continuamente, pra escapar da morte, distribuindo golpes em pauladas ritmicas.

Correr pelo lado de fora, sem adentrar, periferico no sistema cardio-vascular do corpo, maquina de ignicao do desejo.

Se correr o bicho pega e come, se ficar o bicho devora.

photos > valerio araujo

Happy Birthday Mister Schubert

•February 1, 2010 • Leave a Comment

Hoje e’ o aniversario de Schubert. Ele estaria fazendo 213 anos se pudéssemos viver tanto tempo. Franz Peter Schubert nasceu em Viena capital da Austria em 31 de janeiro de 1797.

Schubert teve uma vida de artista, sem dinheiro, sem reconhecimento, vivendo em casas de amigos que muitas vezes o sustentavam. Vivia rodeado de intelectuais, tinha relacoes instaveis e temporarias, nao teve filhos e morreu de gonoreia aos 31 anos.

Seu professor de musica lhe dispensou na infancia, dizendo que nao tinha mais nada pra lhe ensinar, que ele ja tinha recebido todo o conhecimento de Deus. Comecou a escreveu suas lieder (canções) aos 14 anos e escreveu mais de 600 delas. Admirava Beethoven e Haydn.

O Quinteto de Cordas em C Maior foi escrito no verao de 1828, dois meses antes da morte de Schubert. Foi performado pela primeira vez em 1850 em Viena. Dois violinos, uma Viola, e excepcionalmente dois Cellos. Foi sua ultima obra instrumental.

Trabalho Traz Liberdade

•January 31, 2010 • Leave a Comment

 

Pesquisa de imagem do Jacob para o Matadouro. Auschwitz, fragmentos de uma cartografia do terror.

Na porta do campo de concentração estava escrito “arbeit macht freit” algo como “trabalho traz liberdade”.

Uma ironia descabida? Uma provocação dissimulada? De que trabalho e de que liberdade eles estariam falando?

still schubert, still running

•January 24, 2010 • Leave a Comment

e a cabecitcha dando voltas e mais voltas, a procura do esforço exato, do que pode ser apenas e simplesmente.

photos > valerio araujo

meat and the naked body

•January 22, 2010 • Leave a Comment

corpo nu, carne de gente, carne pra sangrar no dente.

carne comivel, posta de um eu como o de todos, trancha de multidão.

o corpo nu ainda constrange, restringe, incomoda levemente.

submerso na vergonha, no pudor e numa perversidade tao comumente humana.

estraçalhado pela arte, pela moda e a pela publicidade, autopsiado pela ciencia, modificado pela technologia.

corpo nu pode ser doença, entrega, protesto, exibicionismo, consumação. 

banhado depois de morto, o corpo nu permanece o que finalmente somos, materia que decorre de uma espécie.

o corpo nu tem sexo, corpo de cavidades imaginadas e entradas secretas, buraco de uma realidade unica.

alvo perverso do olhar, ataca o medo, aplaca a furia e relativiza o instante fortuito da entrega carnal.

o corpo nu se veste de si mesmo, do que nao possui e do que renega, indumentária do ser.

pele que empacota entranhas, saco de banha e ossos, alegoria do profano.

o corpo nu que vira bicho na sociedade do espetaculo, no matadouro de um poder cruel e sanguinário.

Anna Zizi

•January 21, 2010 • Leave a Comment

“Uma haitiana de cerca de 70 anos foi resgatada com vida dos escombros da Catedral de Porto Príncipe por bombeiros mexicanos que se emocionaram ao ouvi-la cantando depois de uma semana soterrada.

Os socorristas se abraçaram chorando enquanto a velhinha, coberta de pó, era colocada em uma maca improvisada onde recebeu soro intravenoso e um cobertor térmico antes de ser levada para um hospital.

 Anna Zizi foi resgatada duas horas antes de completar exatamente uma semana da ocorrência do terremoto que devastou o país.”

Ativismo

•January 20, 2010 • Leave a Comment

A palavra trazida pelo Cristian no ensaio: Ativar!

nao me parece um grito de independencia e nem a palavra de ordem de um heroi. Mas “ativa” alguma coisa em mim, como proposicao de investimento subjetivo mas palpavel, como acessibilidade a questoes proprias e comuns, e como estrategia para uma abordagem com o publico. 

Ativar o lugar, o pensamento, o corpo como lugar de todas as farturas e terremotos. Ativar a si mesmo e ao outro. Acao precisa e definitiva, ativar. O ativismo de um corpo que insiste em significar, pela acao cruel do fazer algum sentido.

wiki-definitions:

“Ativismo, no sentido filosófico, pode ser descrito como qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa. Nesse sentido, freqüentemente subordina sua concepção de verdade e de valor ao sucesso ou pelo menos à possibilidade de êxito na ação.”

“Usualmente, ativismo pode ser entendido como militância ou ação continuada com vistas a uma mudança social ou política, privilegiando a ação direta, através de meios pacíficos ou violentos, que incluem tanto a defesa, propagação e manifestação pública de idéias até a afronta aberta à Lei, chegando inclusive à prática de terrorismo.”

“Dentro do enquadramento legal e eleitoral das democracias representativas, toma habitualmente a forma de atividade político-social – remessa de cartas, organização ou participação em reuniões, emissão de textos, entrevistas à imprensa e a dirigentes políticos em prol da postura de preferência; promover ou simplesmente seguir certos comportamentos que estão delineados ou que se estima que contribuam para a causa — tal como o boicote de certos produtos de consumo (ou a recomendação de outros), nas compras individuais ou de grupo; ou ainda a realização de manifestações públicas organizadas, tais como marchas, recrutamento de simpatizantes, coletas de assinaturas em apoio a manifestos favoráveis à causa ou contra algo que prejudique a causa.O ativismo pode também assumir a forma de protesto passivo, de greve, de desobediência civil ou de franca militância ativa, como é o caso da invasão de terrenos ou propriedades, motins e, em caso extremo, o terrorismo e a guerra civil.”

diadorim

•January 17, 2010 • Leave a Comment

dança como suporte técnico

•January 16, 2010 • Leave a Comment

TO SAY

•January 14, 2010 • Leave a Comment

THAT IS TO SAY:

AROUND COURAGE,

NOT FEAR.

AROUND THE PRESENT,

NOT THE FUTURE

OR PAST.

AROUND DESTRUCTION

AND CREATION.

NOT STASIS.

(expect resistance, a field manual)